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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

TALVEZ TU NÃO SAIBAS



Talvez tu não saibas

 
Talvez tu não saibas
que ontem, antes de te amar,
meus lábios já sentiam os teus,
meus olhos traziam tua imagem
(estática na retina do desejo).
Minhas mãos,
ah, minhas mãos te buscavam
na cama vazia,
(das noites impregnadas de lembranças)!
Talvez tu não saibas
quanto me fizeste homem,
quanto me fizeste feliz.
Sim,
talvez tu não saibas,
talvez...

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VINHO & VIDA II




Vinho & Vida II


Meu vinho,
em ti bebo o instante,
saboreando lembranças,
selecionadas e colhidas
no pomar de ontem,
vicejando, exuberantemente,
(na geografia acidentada do querer).
O desejo
sorvo-o nos lábios rubros da quimera,
pura sedução, incitamento,
plenitude fulgente.
Nossos olhares não mais se cruzam,
nossas mãos não mais se tocam...
(e nem se procuram),
na mansidão solene de nosso quarto.
Como aves de arribação,
vivemos o melhor tempo
(que durou uma ilusão)!
Não mais que de repente,
em nós se fez outono.
Silentemente, levantamos voo
para o céu que construímos,
(na inconsciência dos anos),
na introspecção do exílio
da solidão a dois.
E tu, meu vinho,
como um velho sábio,
ensinas-me
com teu silêncio amadurecido,
a erguer um brinde à vida,
quando em nós se fizer adeus.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Companheirismo


Noite fria,
insone,
solidão quer me deixar.
Imploro:
fique,
pra que minha saudade
sinta-se acompanhada!

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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

INTRUSA.






Intrusa




Sei do silêncio que existe nas lembranças   
e das imagens pálidas, descoloridas, fugidias...                                          
das memórias anoitecidas...
Sei da solidão que traz o frio da ausência,     
que tece e veste de cinza minha saudade...
Sei de cor a poesia que pra ti,        
juro,   
fiz um dia... 
e nem olhaste,     
tão plena de mim,      
na minha agonia...
Só não sei de ti agora,   
quão indiferente, querida...                                                                          
nestas horas o que fazes em meus versos, 
assim...        
intrusa, insolente,    
descomprometida.

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MEDO


Medo

Careço de teus olhos,
se vagueio nas noites
cobertas de medo e escuridão.
Tenho dúvidas...
Receio de não mais te encontrar
e  perder o caminho que esbocei na mente,
pois só quem tem solidão
assim, deveras sente,
na ausência,
a força de um simples olhar!

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(02/09/, às 22h31min)
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SAUDADE


Saudade


Escorriam lágrimas na vidraça da janela,
e fria e cinza se fez a manhã;
molhadinhos, os pombos se enroscavam
em busca de calor.

Dentro de mim, quase igual amanhecer...
Vestido de ausência e lembramento,
se aquece na frieza de tua ausência,
minha saudade!


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(17/05/, da janela do meu ap. às 5h43min)
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