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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A POESIA DE DYDHA LYRA

A POESIA DE DYDHA LYRA

Velho Porto

Em nossas vidas,
o acaso
se permite a todo instante.
E algumas coisas
não foram tanto assim.
Lembro que olhaste nos meus olhos,...
cansada de viagem
(sem rumo e tão plena de tormentas).
Ancoraste em mim,
até então,
porto distante pra tua chegada.
E eu,
velho e solitário marinheiro,
adornei com estrelas
a rota de tua chegada,
pra que nunca,
nunca mais
te percas de mim.

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

CANTORES ALAGOANOS


RABEQUEIRO ALAGOANO - By Dydha Lyra


A POESIA DE DYDHA LYRA

INSÔNIA III
 
 
Dydha Lyra

Marc Chagall

Não! Não!
Não quero ficar nu, na praça, outra vez.
Logo hoje,
dia da festa do glorioso São José!
Tirem-me daqui.
Levem-me para União,
Branquinha,
Serra Grande ou Laginha.
Tanjam-me com aqueles pombos,
que sujam a igreja
e fazem cocô nas cabeças dos fiéis,
mas, deixem esse pardal,
que ora pousa em meu ombro...
(fazendo me sentir São Francisco de Assis).

Agora,
cânticos de glória ecoam no meu ego.
Poxa! Nem sou tudo isso,
nem sou tão santo assim.
Além do mais,
nunca tive joelhos de beato,
nem o olhar de perdão de São Sebastião
(sou devasso nas emoções).
E o meu canto é mundano.
E desafino, constantemente,
com a poesia que insiste em ser vida.
E somente ela me faz flutuar,
no universo celestial do papel,
por entre nuvens de perdão
e a guilhotina do pecado...
No olhar, é querer muito de um impuro,
maculado de nudez,
com as cores ofegantes do prazer carnal!

Toco-me! Sinto-me!
Agora sei: sou gente.
E como pipoca, na praça enfeitada pro Santo,
o padroeiro, de quem herdei meu primeiro nome.|

Chuva fina, é o casamento da raposa!
No céu, um arco-íris se desenha.
Afinal, entendo o milho que se faz pipoca!
A lagarta que se faz borboleta e voa!
E os anjos bêbados que circundam,
de mãos dadas, a torre da Igreja de São Carlos,
cantando boemia,
como figuras flutuantes do Universo de Chagall.
Vejo, em cada anjo, um amigo de infância que se foi,
num olhar umedecido de ontem!
Também não vou passar por baixo do arco-íris.
Dizem que quem passa, vira mulher...

Meus olhos, agora, se alagam de Rio Canhoto,
transbordando nos sulcos do meu rosto,
nestes versos em que me vi criança...
E a brisa macia dos canaviais enche-me
de um cheiro de melaço, nessa manhã lajense,
em que a insônia, triste e baldia,
deu lugar a essa saudade,
a minha poesia!

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